Todos parecem tão felizes
Entendo muito bem quando você diz pr'eu não atrapalhar quando você está conversando com esses homens estranhos, que se vestem muito bem e normalmente possuem um cheiro muito agradável. Mas toda hora que passam não lhe dão atenção e tentam fingir que você não existe.
Alguns até olham, mas suas expressões são de nojo ou medo de algo que eu realmente não consigo entender. Fico indignada, nervosa, com raiva, mas não posso fazer nada pois a senhora pediu né, mãe...
Quando vem em minha direção, vejo seus olhos vermelhos. Não sei se é de raiva ou tristeza ou os dois juntos só sei que mesmo assim tenta manter a pose de durona, mas logo desaba em lágrimas.
Lágrimas que escorrem entre seus dedos e unhas sujas por conta de ser escrava de tudo isso.
Não consigo entender porque eles não gostam da gente. Sempre com alguma desculpa, correm ou se dizem atrasados.
Por enquanto fico só olhando... mas um dia, assim como essa raiva toda que habita meu ser, eu crescerei também, e farei tudo ficar melhor pra gente. Prometo, mãe.
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